Em 2010 o Consulado apresenta na Avenida o enredo: "Guerreiros Vermelhos- Heróis a serviço da vida" e contamos com você sambando e se divertindo conosco!
Autores: Raphael Soares e Caê Martins
SINOPSE
A Descoberta do Fogo
Durante milhares de anos o fogo foi assunto de mistério, medo, superstição e adoração. Os homens primitivos associavam fogo à catástrofe. Muitas vezes eles se apavoravam ao ver raios incendiando florestas e vulcões em erupção, transformando as paisagens num inferno de larva incandescente. Ainda hoje, quando sentamos perto de uma fogueira, nossa imaginação cria estranhas visões nas chamas ardentes.
Em certa época da evolução, o homem aprendeu a dominar o fogo. Nas cavernas foram encontrados vestígios do uso do fogo pelo homem de Neanderthal há 50.000 anos e pelo homem de Pequim há 250.000 anos. Esses e outros homens primitivos descobriram como usar o fogo para aquecimento, para cozinhar o alimento, para proteger-se contra animais selvagens e como tocha flamejante na escuridão da noite. A conquista do fogo foi uma importante vitória no caminho evolucionário do homem.
Os Pecados da Humanidade e a Mitologia do Fogo
Mitos e lendas sobre o fogo acompanham a humanidade. Os gregos trazem histórias e representam o comportamento humano nalguns deles. Hefesto, na mitologia grega, era o deus do fogo e das ferrarias, conhecido como Vulcano pelos romanos. O fogo de Hefesto é o fogo subterrâneo erupcionado através da vala do vulcão e é metáfora para intensos sentimentos de erotismo e sexualidade, da ira e raiva, todas prontas para erupção.
Prometheus, na criação do homem protegeu sua criação dando a ele o acesso ao fogo do Sol que roubou de Hefestos. Foi condenado por Zeus a ficar acorrentado num rochedo do Cáucaso. Somente após trinta anos de suplício, Zeus concedeu a liberdade e a imortalidade a Prometeu, tornando-o um deus.
Da ira divina contra o roubo do fogo celeste nasceria a primeira mulher, com o destino de castigar os homens. Pandora desceu a terra com qualidades que recebeu dos deuses: a beleza, a graça, a dança e a traição e a mentira que Hermes colocou em seu coração. Tomada de incontrolável curiosidade por uma caixa que Epimeteu, seu marido, mantinha em casa, Pandora a abriu e acabou por liberar todos os males que não haviam sido usados na confecção do mundo.
O Pecado sempre foi um termo principalmente usado dentro de um contexto religioso, e hoje descreve qualquer desobediência à vontade de Deus; em especial, qualquer desconsideração deliberada das Leis reveladas. Eis o fogo da purificação. Nesse contexto o planeta se compara as cidades de Sodoma e Gomorra, cidades incediadas pela ira divina..
A sinistra força dessa narrativa bíblica tem impressionado profundamente os ânimos dos homens em todos os tempos. Sodoma e Gomorra tornaram-se símbolos de vício e iniqüidade e sinônimos de aniquilação completa. Incessantemente, o terrível e inexplicável acontecimento deve ter inflamado a fantasia dos homens, como o demonstram numerosos relatos dos tempos passados.
Sempre há um pagamento, tempo, sacrifício, disciplina, e isto foram instaurados na quinta idade, quando nos afastamos e perdemos a graça. Agora os deuses não serão mais doadores, mas protetores, na medida do que você der a eles.
Assim como tudo surge da luz e volta para a luz: Como existem as coisas visíveis e as invisíveis. Existem o fogo físico e o fogo espiritual. Para queimar os pecados da humanidade e trazer benefícios para toda a vida no Universo, eis o fogo espiritual criado por Deus. Chamas divinas que trazem consigo todos os dons do espírito santo de Deus. Equivalentes às cores do arco-íris.
Fogo que purifica e serve ao homem também aparece nas lendas. Quase todos os povos indígenas brasileiros contam preciosas histórias sobre a origem do fogo. Segundo os índios guaranis, os mestres do fogo são os corvos. É preciso roubá-lo deles, a fim de que os futuros habitantes da nova terra possam dispor dele. Personagens que pertencem ao mundo divino encarregam-se de cometer o roubo: heróis culturais, ou semideuses, ou mesmo o Sol.
No folclore, surge o Boitatá. De acordo com a lenda, o boitatá protege as matas e florestas das pessoas que provocam queimadas. O boitatá vive dentro dos rios e lagos e sai de seu "habitat" para queimar as pessoas que praticam incêndios nas matas. De acordo com esta lenda, o boitatá possui a capacidade de se transformar num tronco de fogo.
Na tradição religiosa, vinda da África no período da escravidão, celebra-se o fogo, uma das poderosas forças da natureza. Entre os orixás que tem o fogo como elemento: Xangô, o senso da justiça, e Iansã, sua esposa.
Do apocalipse surgem guerreiros de fogo para salvar o resto do mundo. Ressurgem das chamas como a lendária fênix. Surgem as Salamandras. E no fogo da salvação, as salamandras despertam poderosas correntes emocionais no homem. Alimentam os fogos do idealismo espiritual e da percepção. Sua energia auxiliar a demolição do que é velho e a edificação do novo. Uma salamandra foi designada para acompanhar cada um de nós ao longo dessa existência.
Dos Vigiles as Chamas de Roma
Os primeiros prédios de três e quatro andares surgiram em Roma, mas como as construções eram precárias, quase sempre havia incêndios, o que fez surgir um tipo de corpo de bombeiros. Assim, uma das primeiras organizações de combate ao fogo de que se tem notícia, foi criada na antiga Roma. Augusto, que se tornou Imperador em 27 a.C. formou um grupo de "vigiles". Esses "vigiles" patrulhavam as ruas para impedir incêndios e também para policiar á cidade, através de patrulhas e vigilantes contra incêndios.
Um grande incêndio esses vigiles não conseguiram apagar. Foi no período de Nero Cláudio César Augusto Germânico ou Nero Claudius Cæsar Augustus, o quinto Imperador Romano entre 54 e 68.
Em 19 de julho, ocorreu o grande incêndio em uma região de trabalhadores de Roma. O incêndio se prolongou por sete dias, consumindo um quarteirão após outro dos cortiços populosos. De um total de catorze quarteirões, dez foram destruídos, e morreram muitas pessoas. Não se sabe se o incêndio foi acidental ou ordenado pelo imperador Nero.
Da Europa as Américas
O fogo era um problema de difícil resolução para os “vigílias” que contavam com métodos insuficientes para a extinção das chamas.
Uma das normas mais antigas de proteção contra incêndios foi promulgada no ano de 872 em Oxford – Inglaterra. Lá se estabeleceu um toque de alerta, a partir do qual se deviam apagar todos os incêndios que estivessem ocorrendo naquele momento.
Sabe-se muito pouco a respeito do desenvolvimento das organizações de combate ao fogo na Europa até o grande incêndio de Londres, em 1666. Esse incêndio destruiu grande parte da cidade e deixou milhares de pessoas desabrigadas. Após o incêndio, as companhias de seguro da cidade começaram a formar brigadas particulares para proteger a propriedade de seus clientes.
Em Boston, depois de um incêndio devastador que destruiu 155 edifícios e certo número de barcos, em 1679, houve a fundação do primeiro Departamento Profissional Municipal Contra Incêndios na América do Norte.
Com falta de organização e disciplina dos bombeiros ¨voluntários¨ pelas cidades, bem como a resistência à tecnologia que despontava com a introdução de bombas com motor a vapor, ocasionou a organização dos departamentos profissionais contra incêndio em várias cidades. As primeiras escolas de bombeiro surgiram em 1889, Boston e em 1914, Nova York para transformação dos quadros profissionais de maiores e menores graduações. Na época das primeira e Segunda Guerra Mundial os Corpos de Bombeiros encontravam-se estruturados e atuavam em sistemas de dois turnos.
No Brasil, sempre foram muito difíceis e limitados os recursos da população contra o fogo que se expandia rapidamente devido serem as construções ricas em madeiras. Em julho de 1856, sua Majestade o Imperador Dom Pedro II assinou o decreto que reuniu numa só Administração as diversas Seções que até então existiam para o Serviço de Extinção de Incêndios, sendo, assim, criado e organizado o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte sob a jurisdição do Ministério da Justiça. O primeiro uniforme usado na corporação foi criado pela esposa do Imperador D. Pedro II, Princesa Tereza Cristina Maria de Bourbon.
Com o Decreto nº. 2.587, de 30 de abril de 1860, tornava-se definitivo o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, passando sua subordinação à jurisdição do Ministério da Agricultura, cujo primeiro titular e organizador foi o Almirante Joaquim José Inácio. Já no período republicano, a 23 de maio de 1908, foi concluída a obra e inaugurada o majestoso prédio, verdadeiro símbolo arquitetônico, que é o Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros. O Palácio Vermelho. Em 02 de abril de 1954, o então Presidente da República, Getúlio Vargas e seu Ministro da Justiça, Tancredo de Almeida Neves, estabeleceram o dia 02 de julho como o Dia Nacional do Bombeiro (Decreto n.º.309).
A Serviço da Vida - Heróis Catarinenses
Em Santa Catarina, a organização Corpo de Bombeiros deu seus primeiros passos através da promulgação da Lei n.º.137, de 30 de setembro de 1917, momento em que o Congresso Representativo autorizou o Governo do Estado a organizar uma Seção de Bombeiros, anexa à já existente Força Pública. No entanto, somente em 26 de setembro de 1926 foi criada a primeira Seção de Bombeiros com integrantes da Força Pública, a qual teve como primeiro Comandante o 2º Tenente Valdemiro Ferraz de Jesus.
Com a instalação da primeira Seção de Bombeiros na cidade de Florianópolis, a 26 de setembro de 1926, temos o marco histórico da fundação do Corpo de Bombeiros Militar no Estado de Santa Catarina. Criada pela Lei nº. 1.288, de 16 de setembro de 1919, a Seção foi instalada somente em 26 de setembro de 1926, conforme ata de inauguração, documento que iniciou oficialmente a instituição. Atualmente, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina entende que o seu negócio é: “Proteger a vida, o patrimônio e o meio ambiente” e desenvolve suas ações com base na seguinte missão: “Prover e manter serviços profissionais e humanitários que garantam a proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente, visando proporcionar qualidade de vida à sociedade”.
Os rumos da organização Bombeiro Militar Catarinense baseiam-se na seguinte visão estratégica: “Ser referência e modelo de excelência na prestação de serviços de bombeiro”. Os bombeiros se destacam na história de Santa Catarina em diversos fatos. São inúmeros catarinenses, e até nosso patrimônio, que foram salvos por ele como o incêndio que destruiu parte do Hospital de Caridade em Florianópolis, em 1994, e do Mercado Público, em 2005. Destaca-se na história, o triste acidente aéreo com o Boeing 727 da Transbrasil que caiu em Florianópolis, causando a morte de 54 pessoas, em abril de 1980. Em 2004, os bombeiros tiveram grandes atuações salvando vidas da devastação causada pelo Furacão Catarina que atingiu o sul do Estado. Além disto, enchentes e catástrofes naturais que aconteceram em Santa Catarina.
Nos anais da história é fácil encontrar exemplos de pessoas que fizeram da solidariedade um sentimento uma bandeira de luta, uma razão de vida. Casos de homens e mulheres que doaram parte de suas vidas sendo solidários a uma causa, transformando a vida de muitos, são comuns de se ver. Acontece, aconteceu e continuará a acontecer. É um fato insofismável e digno de louvor.
O Vermelho da Vida e da Solidariedade
O vermelho possui uma onda da freqüência vibracional que mais se aproxima da matéria e é considerada a cor relacionada ao mundo físico. Na escala das cores, essa é a primeira que aparece, possuindo uma onda longa que lhe confere uma capacidade de propagação maior que as das outras cores. Vermelho é a cor do uniforme dos nossos heróis. Cor da paixão, cor do sangue, cor do fogo, cor do coração e da vida! Cor da nossa bandeira.
E a nossa bandeira se transforma na bandeira da solidariedade. E quem a levanta são os nossos Bombeiros que são sinônimos de “segurança e solidariedade”. Como o beija-flor da fábula, o mundo está cheio de exemplos de pessoas que são a própria solidariedade personificada, que são verdadeiros tesouros, que fazem desse sentimento bússola para o seu caminhar.
Nessa caminhada pela estrada da vida, o caminhão se transforma em carruagem vermelha que traz os nossos bombeiros como guerreiros na figura da fenix
A fênix é uma ave mítica repleta de penas vermelhas e douradas que emite raios de luz através de seu corpo. Segundo relata algumas lendas, como a que é contada por Ovídio, essa criatura teria nascido nas terras do Oriente e se alimentava com incenso, raízes cheirosas e óleos de bálsamo.
Para além das discussões sobre a veracidade da fênix, o seu relato permite a compreensão de valores bastante interessantes ao homem. O mais importante deles se refere à circularidade do tempo e o processo de renovação das coisas. No momento em que se prepara para a própria morte, a fênix demonstra claramente a limitude da existência. Em contrapartida, salienta a continuidade do mundo no momento em que só pode gerar uma nova vida mediante o fim da sua.
Em nossa realidade trazemos os nossos salva-vidas. Superando a fúria das águas, da terra e do ar. Superando as chamas e trazendo vidas das cinzas.
Nossos bombeiros, nossos heróis. Fênix do dia-dia.
Nos dias de hoje, o heroísmo é muito mais comum do que imaginamos: ser correto é ser herói. Ser íntegro é ser herói e acima de tudo olhar pelos outros, é ser herói. Não apenas por você ter deixado de lado ”você mesmo”, mas especialmente por você tem pensado no bem dos outros.
Homenagear esses heróis é ascender eternamente à Chama da vida! E transformar essa história em um enredo cheio de magia, aventura e fantasia. Dando asas a imaginação que faz do carnaval o maior espetáculo da terra.
Aos bombeiros o nosso Muito Obrigado! |