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Carnaval 2007
Conheça um pouco mais sobre a nossa história carnavalesca...
Sinopse
“Vinte Luas de Esperança, Vinte Luas de Saudade... Das Matas da Babitonga ao Velho Mundo!”
Autores: Sandro Roberto de Oliveira e Antônio Gracindo de Oliveira

O ano é 1503. Em pleno Renascimento, parte do Porto de Honfleur, na Normandia, uma embarcação francesa de nome L’Espoir, capitaneada pelo navegador Binot Palmier de Gonneville, que tinha como objetivo chegar à África.
Um desvio não proposital embicou a embarcação na direção de terras estranhas, mais precisamente na Baía da Babitonga, naquele 06 de janeiro de 1504.
Em terras austrais, como chamavam o novo lugar, os franceses foram recebidos pelos habitantes do local, os índios cariós. A aldeia tinha como chefe o Cacique Arosca e seu filho era chamado de Içá-Mirim.
Os cariós receberam bem os “novos habitantes” que permaneceram seis meses, enquanto providenciavam a restauração das avarias sofrida pela embarcação. Os marinheiros consertam e limam a nau e os principais, acompanhados de artilheiros e pajens, podem explorar a terra, em expedições costeiras que duram dois dias. Verificam que a terra é fértil e ficam deslumbrados com as raridades da flora e da fauna.
Após o conserto do L’Espoir, decidiram retornar à França. A relação entre os navegadores e os indígenas era tão boa que Binot Paulmier de Gonneville pediu ao cacique para levar seu filho Içá-Mirim ao Velho Mundo, fazendo a promessa de retornar depois de vinte luas. Durante a viagem Içá Mirim foi batizado e os franceses o chamavam de Essomericq. No entanto a longa viagem lhe proporcionou um primeiro momento de nostalgia, semelhante ao banzo africano.
Passaram-se as vinte luas, e Essomericq permanecia na Normandia. O Capitão legou a Essomericq, que já era Binot desde seu batismo, também seu sobrenome Paulmier e as armas da família para redimir-se do juramento não cumprido.
A partir daí Essomericq passou a ser testemunha ocular dos fatos históricos da França do século XVI, proporcionando para si fundamentos que o inculturaria a uma nova realidade.
Um dia, no ano de1550, Essomeriq soube que nas ruas de Rouen (Ruão), haveria uma festa diferente. Para sua surpresa uma grande festa brasileira acontecia.
Às margens do Rio Sena, 300 pessoas, entre elas cerca de 50 índios, fizeram um show histórico. Enquanto os nativos representavam a si próprios, os demais ajudavam a compor as cenas. No gran finale, simulavam um combate cruento entre tabajaras e tupinambás.
Vendo os índios desfilando, como num grande carnaval, brota em Essomericq um sentimento de nostalgia, mais forte que o sentido durante a travessia do oceano.
A alegria dos tabajaras e tupinambás leva Essomericq em uma viagem na sua imaginação pensando no que acontecera com o que deixou para trás, lá em 1504. Tal sentimento fica a todo o momento lhe tomando o tempo e a curiosidade.
Num dado momento de sua vida Essomericq tem um sonho. Vê sua aldeia e seus contemporâneos narrando todos os fatos acontecidos durante sua ausência.
Entre eles, Içá-mirim ouve histórias sobre o pau-brasil, escravidão, nova religião, caminho sagrado, novos “visitantes”, entre outras.
Essomericq viaja nessa narrativa e vislumbra tudo, sendo fiel em sua imaginação ao que ouve em sonho, até que, sem perceber, “acorda” nos braços dos deuses e dos ancestrais, deixando o mundo dos mortais.
Essa é a viagem que a Consulado fará em 2007. Na carona de Içá-Mirim (Essomericq), mostrará uma pequena parcela do que foram a França e o Brasil do século XVI sob a ótica de um indígena que testemunhou duas realidades distintas.
“Sabemos o que Gonneville achou do Novo Mundo; nunca saberemos o que Essomericq achou do Velho...” (Leyla Perrone-Moisés – Vinte Luas)
É partindo dessa premissa que a Consulado se sente à vontade para criar uma possível realidade.
Um misto de história, verdade e imaginação. Usar a história para inventar outra.
Baseada em fatos reais, a Consulado mostra esta possível verdade, testemunhada por Essomericq, uma vez que não existem pormenores relacionados à vida de Içá Mirim no Velho Mundo.

Samba-Enredo
Escute e sambe com nosso samba-enredo...
 
Presidente: Salomão Lobo de Souza Filho
Enredo: Vinte Luas de Esperança, Vinte Luas de Saudade... Das Matas da Babitonga ao Velho Mundo!
Autores: Sandro Roberto de Oliveira/ Antonio Gracindo de Oliveira
Carnavalesco: Raphael Soares
Compositores: Conrado Laurindo/ Gustavo Real/ William Tadeu

UM NOVO TEMPO, SURGIU NO MAR PELO HORIZONTE
FAZ EU VIAJAR, A LUZ DA VIDA A ME GUIAR
EU SOU, NA BABITONGA UM MENINO
NAVEGAR É MEU DESTINO
ATRAVESSAR O OCEANO
E EM VINTE LUAS DE ESPERANÇAS, VOLTAR PRA ONDE AMO

E A SAUDADE ASSIM
FAZ O MEU PEITO PULSAR BIS
ETERNIZADO IÇÁ-MIRIM
EM UM SONHO ME LEVAR

IDEAIS ESTILHAÇADOS NA PROMESSA
O VELHO MUNDO, ENTÃO DESPERTA O CORAÇÃO
ME LEVA, A VALSAR UM MINUETO
E REVELAR, UM MOMENTO DE EMOÇÃO
VENDO A FRANÇA UM DIA, NUM DELÍRIO TROPICAL
FLORESCE A LEMBRANÇA EM UM GRANDE CARNAVAL
O PASSADO PRESENTE CONDUZ A MENTE
VIVER É RECORDAR!
UM SONHO MURMURA EM MINH’ALMA
A BRISA QUE EXALA A VOZ DOS ANCESTRAIS
APLAUSOS, A ESSA GENTE BRASILEIRA
DETERMINADA E GUERREIRA
QUE TRAZ A CENTELHA DE UM CANTO DE PAZ

VEM MEU AMOR, VEM ME ABRAÇAR
VEJO A SAUDADE EM SEU OLHAR BIS
SOU CONSULADO E VOU FAZER RESPLANDECER
O LUAR PARA VOCÊ

 
 
 
 
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